Como qualificar esta brutal desumanidade?
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Almeirim

Há cinco anos, numa controversa sessão da Assembleia Municipal de Almeirim foi aprovado um loteamento industrial na Quinta da Alorna, onde viviam famílias ciganas. Segundo a notícia sobre esta reunião, nem sequer se falou na existência de famílias ciganas naquele local, e muito menos na importância de realojar, ou pelo menos de re-situar estas famílias – não eram um problema para a Câmara. Seguiram-se reuniões em que, há três anos, a pedido da então Governadora Civil de Lisboa, Drª Dalila Araújo, interveio o Secretariado Diocesano de Lisboa da Pastoral dos Ciganos que fez um levantamento da população cigana residente em Almeirim. A Câmara de Almeirim passou a conhecer todos os pormenores das famílias ciganas lá residentes.

Em 8 de Abril de 1971, em Orphington, perto de Londres, teve lugar o 1º Congresso Mundial dos Ciganos. Aí, os ciganos decidiram passar a chamar-se Roma e decidiram ter uma bandeira e um hino. A partir daí, o dia 8 de Abril passou a ser o Dia Internacional dos Ciganos. Pois foi precisamente no dia 8 de Abril de 2015 que a Câmara Municipal de Almeirim decidiu destruir as barracas das famílias ciganas que viviam na Quinta da Alorna e que incluíam crianças, uma das quais deficiente, sem lhes dar uma alternativa para se abrigarem: as famílias tiveram que ir comprar um plástico para lhes servir de tecto.

Como qualificar esta brutal desumanidade? Como repará-la? Quererão os responsáveis políticos locais e nacionais e os do aparelho do Estado tomar esta atrocidade nas suas mãos e resolvê-la?

(tirado do Editorial de "A Caravana")